terça-feira, 10 de julho de 2012

Multitasking - valerá a pena? – Parte I



multitasking - valerá a pena?
Multitasking (recuso-me a dizer isto em português para fazer de conta que o fenómeno é coisa estrangeira) é muito valorizado hoje em dia em determinados ambientes. Além disso, nos dias tão cheios de solicitações de trabalho e lazer achamos que esta é a solução para conseguirmos fazer tudo.
Já é conhecido por muitos que este modo de operar tem efeitos adversos mas é cada vez mais complicado fugir a isso. Este artigo resume alguma informação importante sobre este tema e o seguinte lista ideias para lidar com o fenómeno.
 



 

Multi-muitas-tarefas

Hoje em dia, em particular em certos ambientes de trabalho onde a cultura do “tudo para ontem” e a resposta imediata são a regra (muitas vezes refletindo uma organização e gestão deficientes), a capacidade de multitasking (fazer várias coisas ao mesmo tempo) é valorizada e premiada. As tecnologias de informação, novos gadgets e estarmos cada vez mais contactáveis têm contribuído para que o multi se multiplique.

No entanto, tem vindo a ser estudado que a capacidade de multitasking é um mito e tem efeitos adversos na produtividade, criatividade, e equilíbrio mental e emocional, tornando-se a prazo numa desvantagem para a pessoa e para a organização. Um estudo realizado pelo neurocientista Earl Miller, no MIT, indica até que as pessoas que acreditam ser muito boas em multitask são aquelas que pior desempenho conseguem. :)


Fazer duas coisas ao mesmo tempo sem efeitos adversos é possível apenas quando uma dessas tarefas é automática, ou seja, quando não é preciso atenção para a realizar (por exemplo comer e andar) ou essas tarefas envolvem diferentes tipos de processamento (por exemplo podemos ler e ouvir música porque solicitam diferentes partes do cérebro mas as nossas capacidades diminuem se a música tiver letra pois ambas requerem os centros de linguagem do cérebro).

Quando falo dos efeitos adversos de multitasking refiro-me a tarefas cognitivas, que requerem atenção, inteligência e criatividade. O multitasking não existe: os “multitaskers” na realidade executam as várias tarefas em série, mudando rápida e sucessivamente a sua atenção entre elas, com custo no desempenho e na saúde.


As consequências negativas de multitasking têm vindo a ser estudadas e são conhecidas. Dave Crenshaw resume estas consequências de um modo simples (há um vídeo muito interessante no youtube sobre este assunto, experimentem fazer o exercício que ele propõe à audiência):
  • Demora-se mais tempo a realizar as tarefas porque uma parte do tempo tem que ser utilizada na troca entre as tarefas, para relembrar onde se estava antes de trocar e voltar a entrar no raciocínio que estávamos a ter. Dependendo das tarefas e dos autores há quem fale que quando fazemos multitasking demoramos cerca de mais 30% de tempo do que quando estamos completamente focados em cada uma das tarefas, em particular para tarefas complexas.
  • Obtemos piores resultados, fazendo o dobro dos erros (saltamos instruções importantes, enganamo-nos nos números, fazemos acidentalmente reply-all a um email, não lemos com atenção os emails e não respondemos adequadamente ou não respondemos de todo o que obriga os outros a enviarem-no de novo ou a telefonarem…).
  • Mais stress e maior dificuldade em manter um pensamento por um período de tempo mais extenso quando estamos constantemente a ser bombardeados por notificações de email, messaging, telefone e pedidos urgentes.
  • Piores relações com colegas e família pois ao dividirmos a atenção com outras coisas (por exemplo estar com uma pessoa e estar a enviar sms ou numa reunião e estarmos a responder ao email) estamos na realidade a dizer-lhes que não são importantes para merecerem toda a nossa atenção.
Tenho orgulho em conseguir escrever e falar com outra pessoa ao mesmo tempo, de estar a escrever este post e em simultâneo a falar no skype, ver o email e a fazer sopa. Sim, sou mulher o que ajuda :). O resultado é que tive que rever mais vezes o texto, perdi provavelmente mais tempo e sinto-me agitada. Há quem diga que o multitasking é viciante e que por isso, mesmo sabendo dos resultados adversos, as pessoas continuam a fazê-lo.

No próximo post vou listar algumas ideias (algumas que uso em certos contextos, outras que gostava de usar mais consistentemente) de como se pode reduzir o vício do multitasking: estratégias pessoais, de equipa e organizacionais.
image

4 comentários:

spritof disse...

Muito bom!
Gostei :)

Agora vou "deixar de fingir" que funciono em multitasking ;)
Tirem senhas :P

PhotoAttraction disse...

Eu cá ccho que ninguem consegue fazer duas coisas BEM ao mesmo tempo...
E como já não tenho 20 anos, multitasking não é para mim. Até porque, no nosso tipo de trabalho, fazer coisas de forma automática e impulsiva pode ter consequências muito prejudiciais. Prefiro fazer as coisas rápido e bem, mas uma de cada vez e com concentração total. E sem arrependimentos.
E tu, provavelmente, queimaste a sopa ;)
Beijos,
Pedro

Ana Relvas disse...

Pedro, tenho uma bimby...a sopa nunca queima ;)

PhotoAttraction disse...

Então "fazer a sopa" não conta para multi tasking ;)